A falta de pavimentação em Cotia atinge o bairro Algarve. Moradores esperam por asfalto há 16 anos e denunciam descaso das gestões. Leia no Em Pauta.
Moradores do Algarve em Cotia denunciam 16 anos de espera por pavimentação
A falta de infraestrutura básica e o sentimento de abandono marcam a rotina dos moradores do bairro Algarve, localizado na altura do km 26 da Rodovia Raposo Tavares. A comunidade procurou a reportagem do jornal Em Pauta para relatar uma situação inaceitável: a espera de 16 anos pela pavimentação em Cotia nas ruas Eugênio Soares e Bagé.
Este problema crônico de falta de asfalto atravessa diferentes gestões municipais sem que uma solução definitiva seja apresentada. Segundo relatos dos residentes, o cenário é composto por um histórico de promessas não cumpridas, protocolos ignorados e uma ausência total de respostas concretas por parte do poder público municipal.
O morador Jean Palombo explicou que o primeiro pedido formal registrado na prefeitura ocorreu em 2009. Desde aquela época, a vizinhança tenta sensibilizar as autoridades sobre a importância dessa obra básica. Novas solicitações foram abertas ao longo dos anos, incluindo um protocolo recente em 2025, mas nenhum avanço significativo foi registrado nas vias mencionadas.
Um histórico de protocolos e silêncio administrativo
A gravidade da situação levou o caso a instâncias superiores há bastante tempo. Em 2017, a demanda foi levada ao Ministério Público do Estado de São Paulo e à Ouvidoria Municipal. Mesmo com o envolvimento desses órgãos de controle, a pavimentação nunca saiu do papel, deixando as famílias em situação de vulnerabilidade logística.
No ano de 2022, houve um breve momento de esperança para a comunidade local. Na ocasião, os moradores receberam a informação de que as obras de infraestrutura seriam finalmente executadas. O projeto deveria incluir a instalação de guias e sarjetas, preparando o terreno para o asfalto. Contudo, a promessa se tornou apenas mais um item na lista de frustrações.
“Estamos cansados dessa situação. Já cobrei vários secretários pessoalmente e não vejo evolução alguma”, desabafou Jean Palombo à nossa reportagem. O descaso parece se perpetuar entre as trocas de comando na prefeitura, afetando diretamente a qualidade de vida de quem paga seus impostos e não recebe o retorno em serviços.
A comunidade assume o papel do poder público
Diante da inércia e da falta de cronograma da administração municipal, a própria população do bairro Algarve precisou agir por conta própria. Em uma iniciativa que demonstra a união dos vizinhos, mas também escancara a ausência do estado, foi organizada uma vaquinha comunitária.
Os moradores arrecadaram cerca de R$ 4 mil para realizar uma intervenção paliativa nas ruas Eugênio Soares e Bagé. Com o valor, compraram fresa de asfalto para tentar amenizar os buracos e o barro nas condições mais críticas. Embora a medida ajude temporariamente, ela está longe de ser a solução definitiva que apenas a pavimentação correta pode oferecer.
A realidade vivida no Algarve não é um caso isolado, mas reflete problemas recorrentes em diversas regiões da cidade. A falta de planejamento urbano impacta a mobilidade e a segurança, dificultando o acesso de veículos de emergência e o transporte escolar em dias de chuva intensa.
O silêncio da prefeitura e as expectativas na gestão
O ciclo de abandono citado pelos moradores engloba diversas administrações passadas, passando pelos governos de Quinzinho Pedroso, Carlão Camargo e Rogério Franco. Atualmente, a cobrança recai sobre a gestão de Welington Formiga. A pergunta que ecoa entre os residentes é: o que a atual administração pretende fazer de diferente para resolver esse impasse de quase duas décadas?
Confira os principais pontos da reclamação:
- Primeiro protocolo realizado no ano de 2009;
- Promessa de guias e sarjetas em 2022 nunca cumprida;
- Moradores pagaram do próprio bolso por reparos paliativos;
- Falta de resposta oficial sobre o cronograma de obras.
O jornal Em Pauta entrou em contato com a Prefeitura de Cotia para solicitar um posicionamento oficial sobre o cronograma de obras para o bairro Algarve. Até o fechamento desta reportagem, não houve manifestação por parte do poder público. Continuaremos acompanhando o caso de perto, cobrando transparência e soluções para os moradores que seguem aguardando o asfalto.

